Rúbrica do Pensar
O sonho é a rúbrica do pensar
Do sentir, do viver, do existir
Olhai as crianças no seu brincar
Tudo sonhando podem assumir
Serem reis, correr, saltar, voar
Tudo podem ser e conseguir
O sonho pode tudo construir
--Para sonhar, basta se só acreditar
Por isso eu creio, espero e amo
Sonhar-- que a vida é ela todo um sonho
Nele toda a minha fé e esperança ponho
Oh sonho, oh ilusão, oh Deus, eu clamo
Ajuda-me a sonhar, manter o voo
Que me eleve--ave leve num mundo novo
Silvério Gabriel de Melo. Vogelbach, Alemanha
Aquele Caminho Aquele atalho que leva ao bosqueDois trilhos tem de terra calçadaA erva cresce pelo meio à sorteBeija-o a luz do sol de madrugadaUma fila de postos ligados por arameFazem uma cerca que o divide do pastoNão há ninguém que ao ali passar não amePoder parar ou prolongar o seu passoAquele caminho cheio de vida e liberdadeOnde um passarinho veio pousar chilreandoNão sei porquê, me fez pensar de verdadeNão sei porquê, me fez parar pensandoPor ali passaram em algum tempo os cruzadosMuito soldados sangrando e gemendoPassando eu - junto a eles os meus passosSou mero momento debaixo de um céu cinzentoUm breve instante, como gorgeiar de passároUma mera sombra que pousando logo voaA vida é uma miragem, um ilusão do espaçoAi dói a alma, saber que tudo é pó - mágoaSó este caminho entre caminhos esquecidoParece a única coisa eternamente existindoParado fico para desvendar o sentidoDaquele atalho por onde passo sózinho. Silvério Gabriel de Melo (Vogelbach, Alemanha
Imerso num mar de idéias, em silêncioNo escuro do quarto, não consigo dormirOuço ao longe o som d'uma estrada, o movimentoO zumbido, rugido de veículos num ir e virCerrando os olhos, submergindo em mim, tentoDeslocar-me ao tempo que vivi a sorrirReactivar lugares e gentes, um momento de felicidade , de vida, de sentirA vida é sim uma via em sentido únicoFicam-nos nos olhos as lágrimas, o desejoDe se nunca chegar ao fim da viagemViver é um passar, seguir um certo rumoCom os nossos sentidos, nossa alma mesmo--Cada dia vivido, parte da paisagemSilvério Gabriel de Melo